
Inventei que estava solteira, para ver o gosto que tinha, descobri que estar sozinho não possui gosto nenhum além do eco do vazio.
Inventei que era forte, que nunca choraria, que estaria sempre ali. Descobri que por traz de quem se faz forte, existe a criança, frágil, escondida querendo se fazer sentir. E chorei. Chorei por não gostar do que eu própria inventei. Descobri que todo mal é necessário. Só existe valor à luz pelo medo da escuridão tomá-la. Somente sabe o que é dor quem já sentiu-a. somente dá-se o valor merecido a um sorriso quem já sabe como é doloroso quando nada, nem ninguém nos consegue fazer sorrir sinceramente.
Hoje, nessa noite em que tudo parece mais sombrio, invento-me feliz. Apesar de não estar, realmente. Hoje em que tudo parece mais frio e nada parece ter solução, escrevo para aliviar o excesso, retirar de mim o que acho de mais nobre: a escrita. Hoje, em que lágrimas teimam em cair de mim, espero não ter de derramá-las amanha, afinal, se amanhã não for um dia melhor, reinvento-me novamente, serei feliz, ainda que por dentro esteja em cacos, pois a verdade é que mentiras sinceras nos permitem enfrentar a dor de maneira mais suave, sutil...